domingo, 15 de setembro de 2013



it's hard to keep trying to enter in the cracks of your shell
sometimes it hurts my arms in the way
and my vulnerability is also in question.
i wish your eyes could talk
'cause apparently we can't.
we're talking in different languages
we're feeling different sunsets
smoking different souls
maybe our hearts are too far away
maybe they're closer than we think.
it's sad we can't feel each other's feelings
and the biggest mistake is to fear the unknown
'cause there's no need for it not to be known.
words may damage some things
but the lack of them threatens to turn off the lights 
that used to keep us warm.
and it's not a payback kind of reaction
but i'm turning myself in five trying to keep up
with these new places you put me in.
maybe it's time to think less 
maybe it's time to feel less
'cause this world of intensity i live in 
brings me every single smile i give
and every tear that moisten your pillow
meanwhile, i choose to close my eyes
and dream about the lines of your face.

quarta-feira, 11 de setembro de 2013




não são palavras, apenas alguns movimentos
dessas coisas que nos esquecemos facilmente
quando estamos com os pés no chão.
criam-se memórias falsas
discursos nunca ditos
sexos nunca feitos.
mas lembro-me bem quando nos aventuáravamos em passeios de carro
quando eu fuçava em suas coisas no porta-luvas
entre latas e cigarros, papeis e imagens de santos
você ria-se de mim, zombando meus defeitos
enquanto eu te olhava ironicamente, com uma feição boba de reprovação.
na banalidade do que estava extinto,
ou do que era forjado,
mas na dúvida constante
do que é realidade 
do que é fantasia
do que é desejo
do que não vai se realizar.
às vezes as palavras aparecem
mas não devem ser ditas
no jogo que não se pretende jogar
nos sonhos que se jogam fora mas não se vão embora.
talvez apenas descompassados
ou talvez uma pausa na busca constante
um descanso, pras coisas perderem seu peso,
do que se diz tão vulgarmente como sonho distante
mas que é tão visceral
e necessário nessa cabeça velha.
a questão é que não existem finais felizes
porque os finais nunca se acabam
nunca se esgotam
e nem sempre são felizes mesmo.


quarta-feira, 4 de setembro de 2013



This man is begging for money, but it's not money that he is begging for. People might think he is asking for love, but he is not. He's lost his faith, his hopes. His dreams died long ago. Now he should've been mourning, mourning those plans that are never going to be accomplished. 'Cause time passes by, and sometimes he just have to realize that is too late for what he once desired. He will stop scrounging things - or at least that is his wish. But I'm not going to make up an happy ending, I'm not gonna end it up with a powerfull and positive advice, a self-helping speech that is supposed to make things lighter or easier. That's just a story of a sad day of a sad man's life. It's just an afternoon of thinking and rethinking his expectations, what reality can really offer him, what can really come up someday. Even though someday is far too long. Waiting and wanting should take place of old thoughts, distant facts. It's not a sit-and-wait situation, but sometimes only time can do what he couldn't - what he can't. God bless.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013





there's some things i can't get out of my chest
my thoughts can't function properly
and my neurotic way to see things
is trying to line them up 
although they're still all mixed up
in some troubled randomic ranges.
trying to put words in your eyes
is never going to do me any favor
is never going to enable feel things as they ought to be felt
but i just can't believe in everything i see
'cause they're just made up stories of my mind.
i wrestle against myself
trying to control my words
the way my arms move
the way things get to me
but i let it all spill out.

this faucet is dripping.
and i'm about to drown.



terça-feira, 27 de agosto de 2013




Luana amava Patrícia, mais que Patrícia amava Luana. Luana tinha os cabelos curtos e negros, um sorriso inocente no rosto, acreditava em amor para sempre e usava roupas ora femininas, ora meio infantis. Patrícia tinha os cabelos longos e mais claros, adorava ficar em casa com uma blusa cinza grande e meio caída, de tecido fino e apenas de calcinha - adorava especialmente aquela calcinha amarela clara, que parecia um pequeno short. Tinha os seios grandes, mas bonitos. Patrícia não gostava de tomar café da manhã, e não acreditava em casamento. Luana se apaixonara intensamente por Patrícia, que, inicialmente, não correspondia, apenas aproveitava seu sexo e as noites divertidas que tinham juntas. Com o passar do tempo, Patrícia convenceu-se de que gostava de Luana também, e foi assim por longos meses. Luana sempre se jogava em suas relações, desde o início. Patrícia era sempre cautelosa, pensava controlar o que sentia. No fim das contas, mesmo que em ritmos diferentes, alcançaram alguma paridade. Já haviam se acostumado uma com a outra, com o gosto de uma e de outra. Era de um cotidiano previsível, mas agradável. Num dia, sem muitos precedentes, Luana comprou um acessório e pediu para que Patrícia lhe penetrasse. Patrícia assustou-se. É verdade que não estava acostumada a ser passiva em suas experiências, mas vestir aquele pinto de borracha era muito para ela. Ficou incomodada e disse que não faria isso. Luana insistia para que Patrícia lhe comesse. Patrícia recusou-se e não conseguia entender porque aquilo era necessário. Luana não sabia explicar, mas recentemente esse desejo lhe consumia como nada a consumira há tempo. Era quase uma fissura, de ter aquilo dentro dela. As duas ficaram alguns dias trocando olhares fugidios, sem saber o que fazer daquilo. Luana não entendia que uma mudança de postura assim, era muito a se pedir. Patrícia nunca soubera agir desta forma, não submetia-se a uma sexualidade diferente da que já estava acostumada. Podia ser por medo, podia ser por segurança de fazer tudo como aprendera um dia e como sempre havia feito - afinal, havia dado certo deste modo, até aquele preciso momento. Pedir para mudar era um passo maior do que Patrícia podia dar. Luana entendeu sua reação como uma prova de que Patrícia nunca a amara de verdade. Para Luana, Patrícia tinha complicado coisas que eram simples demais - que para ela eram simples demais. Não conseguia entender o que havia de tão difícil nisso. Patrícia, por sua vez, não compreendia de onde surgia aquele desejo insaciável, não entendia porque para ela já estava tudo completo, mas para Luana não. O encantamento que tinham uma pela outra parecia dissipar-se. Depois de alguns dias, Luana apenas juntara suas coisas e voltara para casa de sua mãe, sem nada dizer a Patrícia.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013




Deitada, dispersa delicadamente em meio aos lençóis amarrotados. O tecido branco do travesseiro em contato com seus olhos semiabertos, num sono que emana uma leveza de uma vida estável – mas não aquela estabilidade pacata e entediante, mas uma que acabara de se criar naquele momento. A manhã chega e o quarto está sujo. O sol invade e revela um cheiro peculiar. Cinzas e marcas redondas no assoalho de madeira, copos vazios da bebida da noite anterior. Uma noite de suores e agressividade, numa profanidade que não lhe é característica, mas que fluiu assim que sua sobriedade se esvaía. Enquanto a fito atentamente, penso no que dirá quando acordar. Talvez esteja arrependida, pensando que agiu levianamente e queira ir embora, sem trocar muitas palavras. Talvez abrirá os olhos lentamente e possuir-me-á de novo, só que desta vez de uma maneira tênue, envolvida ainda pelo leve sono da manhã quente. Sentirei seu gosto doce e me deliciarei com avidez, pois que tem uma essência particularmente encantadora. Ou talvez ela simplesmente não lembre do que vivemos. Continuo a olhá-la, tentando sorver sua alma naqueles instantes longos que se passam. Seu corpo despido me deslumbra, mas nunca saberei se poderei encontrá-lo novamente. Tudo que se criou aqui foram fantasias, confabulações da minha psique que não se sacia em viver o momento fugaz a que tantos se propõem sem grandes preocupações. Eu não. Eu racionalizo. Eu crio milhares de finais para o que  gostaria que não tivesse fim. E se ela nada dizer? O que farei eu deste apaixonamento? Não, ela não faria isso. Se entregara antes em palavras e toques sem medida, tão intensamente quanto pôde e como lhe é peculiar. Se for embora para sempre, posso apenas dizer que não esquecerei seu sorriso, nem suas mãos – inicialmente tímidas – ao me tocarem. Poderia casar-me com ela, e teríamos filhos lindos – inquietos como eu, mas lindos como ela. Ela riria-se do meu pedido, mas aceitaria sem muita hesitação. E o que faço do presente? O que ela espera que eu diga quando acorde? Não sei o que dizer, mas senti reciprocidade nos seus olhos ontem à noite, uma sensação de que ela sabia o que eu pensava, e pensava o mesmo. Seus olhos diziam muito, dessa sensação de plenitude momentânea que vivíamos ali, de algo que não era fugaz, por mais que a conhecesse há apenas algumas horas. Melhor esperar e ver como ela reage, quem sabe assim saberei o que  dizer, ou como tocar-lhe. Um beijo lento e macio foi a última coisa que partilhamos antes de dormir. Sentirei saudades desse beijo. Assim que me abandonar, procurarei em outra o que aqueles olhos me disseram, mas quem pode dizer que encontrarei tão cedo? Ela vai embora. Tenho certeza. Ela vai embora. Como todas as outras também foram. Vai deixar para trás apenas seu cheiro em minha cama. Ainda sinto o gosto de seu beijo na minha boca. E essas serão as únicas lembranças que restarão do meu sonho criado. Ela não irá me ligar, e, quando me ver, cumprimentar-me-á com um sorriso vazio, como se nunca tivéssemos vivido aquela noite. E assim ela se tornará apenas mais uma experiência que passou, mais uma memória, e ela nunca mais voltará por aquela porta. O que dizer agora? Ela está acordando...

segunda-feira, 12 de agosto de 2013



sometimes i see myself floating
to damn high
letting be guided by the cool air of a summer breeze
but the seasons come and go
and still
i dive carelessly
catch my breath
and let myself drown later
but that's ok
it's worth the road
it's worth that weightlessness in my head
that temporarily eases my soul
for each dive, a new lesson
a new memory.